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Atualização: revisão dos guias de injetáveis, novos gráficos, ordem lógica no DIY, segurança com pets e correção sobre o SUS

· 8 min para ler
Guia HRT
Guia HRT
Colaboradores do Guia HRT

Hoje fizemos uma limpeza geral necessária no Guia HRT. Demos uma repaginada nos manuais de injetáveis para transfemininas e transmasculinos, colocamos simulações visuais das curvas de dosagem, arrumamos a ordem do texto no guia de erros da hormonização por conta própria, adicionamos alertas sérios sobre pets no uso de gel e minoxidil, e corrigimos uma gafe antiga nossa sobre a Farmácia Popular.

1. O que mudou no Guia de Injetáveis de Estradiol (Perlutan e genéricos)​

A página da injeção mensal de enantato de estradiol com algestona acetofenida ganhou explicações bem mais visuais:

  • Gráficos das curvas de dosagem: colocamos simulações mostrando o comportamento do hormônio no corpo nos três intervalos mais usados no Brasil:
    • Rotina semanal (7 dias): comparação de 0,3 mL e 0,4 mL, mostrando como doses semanais menores mantêm o nível sanguíneo quase estável, sem montanha-russa hormonal.
    • Rotina de 10 dias: simulação de 0,5 mL e 0,6 mL, que equilibra boa estabilidade com apenas 3 aplicações por mês.
    • Rotina quinzenal (14 dias): simulação de 0,8 mL e 1,0 mL (ampola cheia), evidenciando o pico nos primeiros dias e a descida gradual até o 14º dia.
  • Tabela simples de estabilidade: tiramos multiplicadores teóricos confusos e colocamos uma coluna direta com a estabilidade de cada regime e o número exato de injeções no mês.
  • Atrasou ou esqueceu a dose? nada de dobrar a dose para compensar. A orientação correta é tomar a dose normal assim que lembrar e recomeçar a contagem dos dias a partir dali.
  • Como trocar de intervalo: explicamos como migrar entre regimes (por exemplo, de 7 para 14 dias) aplicando a nova dose no dia exato em que venceria a antiga, sem deixar a pessoa com o hormônio zerado.
  • Alergia aos óleos carreadores: reforçamos a diferença essencial entre Perlutan e genéricos (que usam óleo de gergelim) e Uno-Ciclo (que usa óleo de amendoim), com links para as bulas da ANVISA.

2. Gel de estradiol e risco de morte para animais domésticos​

Incluímos um aviso de segurança essencial no guia de gel de estradiol sobre o convívio com pets:

  • Cães e gatos têm hipersensibilidade ao estrogênio: o contato com a pele onde o gel foi passado ou lambidas do animal no local podem causar uma intoxicação grave na medula óssea do bicho. Isso gera anemia profunda e hemorragias que trazem risco real de morte para o animal.
  • Como se proteger no dia a dia: lavar as mãos com sabão logo após espalhar o produto, aguardar a secagem completa de 3 a 5 minutos e vestir roupa cobrindo a região antes de pegar o pet no colo. Aplicar nas coxas facilita bastante, porque calças ou bermudas já protegem a pele contra lambidas.

3. Guia de Testosterona: Nebido, gel e cuidados com pets​

O guia prático de testosterona foi enxugado para tirar tabelas repetitivas e ganhou orientações diretas de segurança:

  • Alerta sobre óleo de amendoim: Deposteron e Durateston usam óleo de amendoim. Quem tem alergia alimentar a amendoim ou sensibilidade severa à soja corre risco de choque anafilático se tomar essas ampolas. Nesses casos, a alternativa injetável é o Undecilato (Nebido ou Hormus, formulados em óleo de rícino) ou o gel transdérmico.
  • Nebido exige aplicação lenta: a ampola tem 4 mL de óleo de rícino bastante denso. A injeção deve ser aplicada no glúteo por profissional de saúde, com extrema lentidão (no mínimo 2 minutos empurrando o êmbolo). Injetar rápido demais aumenta o risco de microembolia pulmonar oleosa (POME), que provoca tosse súbita e falta de ar.
  • Gel transdérmico e crianças/pets: o gel de testosterona deve ser aplicado nos ombros e braços (nunca na barriga ou genitais). Cobrir o local com camiseta após secar evita a transferência hormonal acidental, que pode induzir puberdade precoce em crianças e desregular os hormônios de animais de estimação.
  • Regra de ouro nos exames: nunca tire sangue no mesmo braço onde passou o gel, para não contaminar a agulha e gerar um resultado falso de 3.000 ng/dL no laboratório.
  • Receitas no Brasil: as ampolas exigem Receita C5 em duas vias com retenção na farmácia, enquanto o Androgel costuma ser vendido livremente no balcão sem retenção na maioria das drogarias.

4. Minoxidil: novo capítulo e alerta vital para quem tem gatos e cães​

No guia de medicamentos de testosterona, organizamos a seção de remédios complementares (Finasterida e Dutasterida) e adicionamos o Minoxidil:

  • Para que serve: é usado por pessoas transmasculinas para acelerar o crescimento da barba ou tratar entradas e calvície no couro cabeludo. Ele age estimulando a circulação dos folículos e não mexe com os níveis de testosterona ou DHT.
  • Alerta crítico de toxicidade para pets: cães e principalmente gatos não possuem enzimas para metabolizar o minoxidil. Gotas residuais, travesseiros com produto recente ou lambidas no rosto podem causar parada cardíaca e morte rápida do pet. Lave as mãos com rigor e não deixe animais encostarem na área tratada.

5. O guia de Erros Comuns DIY agora tem ordem cronológica​

No guia de Erros Comuns na Hormonização DIY, o texto antes misturava fases aleatórias. Reorganizamos toda a leitura na sequência em que a vida real acontece:

  1. Antes de tomar o primeiro remédio:
    • Preservação da fertilidade: agora abre o guia. A produção de espermatozoides pode cair de forma irreversível com os meses de TH. Quem pensa em ter filhos biológicos precisa avaliar o congelamento de gametas antes da primeira dose.
    • Exames basais e histórico: checar histórico cardiovascular, hepático e fatores de risco para trombose.
    • Compreender as vias: entender a diferença metabólica entre pílulas orais (que passam pelo fígado e alteram fatores de coagulação) e vias parenterais (gel e injeções).
  2. Ao escolher medicamentos e dosagens:
    • Subdosagem de estradiol com bloqueador alto: tomar ciproterona ou espironolactona em doses cheias para zerar a testosterona enquanto se toma quase nada de estradiol deixa o organismo sem hormônio sexual nenhum. Isso antecipa perda de massa óssea, osteopenia e osteoporose, além de gerar cansaço crônico e desânimo.
    • Superdosagem inútil: tomar doses exageradas de estradiol não acelera o crescimento dos seios. Apenas satura os receptores e dispara a SHBG no fígado, que neutraliza o hormônio livre e multiplica o risco vascular.
    • Não misturar bloqueadores: nunca combine espironolactona com ciproterona, nem use antiandrógenos orais junto com injeções combinadas como a Perlutan, que já trazem progestágeno em quantidade suficiente.
    • Entender cada substância: detalhamos o limite seguro da ciproterona (máximo de 12,5 mg ao dia por conta de prolactina e risco de meningioma), da espironolactona (cuidado com potássio no sangue) e as diferenças da progesterona micronizada por via oral versus retal.
  3. No acompanhamento contínuo:
    • Exames no vale: tirar sangue no dia da aplicação ou do comprimido, logo antes da próxima dose programada, para pegar o nível real mais baixo.
    • Diálogo com profissionais de saúde: informar médicos e equipes de pronto-socorro sobre os hormônios em uso para prevenir interações medicamentosas.

Aqui vai uma correção importante: em versões anteriores da página de Direitos de Pessoas Trans no SUS, dávamos a entender que dava para retirar hormônios pela Farmácia Popular em drogarias privadas conveniadas.

Isso foi um erro nosso. O programa Farmácia Popular do Brasil não distribui hormônios para transição de gênero, nem medicamentos sob controle da Lista C5 (como ampolas de testosterona). Esse equívoco no texto levava pessoas ao balcão de drogarias à toa para pedir itens que o programa nunca teve.

A distribuição 100% gratuita de hormônios pelo SUS ocorre apenas na rede pública própria: nas Unidades Básicas de Saúde (UBS, conforme a relação municipal de medicamentos) e nos Centros de Referência do Processo Transexualizador.

Também colocamos o Cartão SUS e o Nome Social no topo da página de direitos, já que o cartão é a porta de entrada para qualquer atendimento e cadastro na rede pública.


7. Ampolas de vidro e seringas: sem agulha grossa desnecessária​

No Guia Completo de Técnicas Injetáveis, explicamos a apresentação dos medicamentos no mercado brasileiro:

  • Quase todos os hormônios de farmácia no Brasil (Perlutan, genéricos, Uno-Ciclo, Deposteron, Durateston e Nebido) vêm em ampolas de vidro quebra-fácil.
  • Para aspirar de ampola aberta, não é necessário comprar agulhas rosas grossas (40x1,2 mm). Elas aumentam o risco de aspirar microfragmentos de vidro. Você pode puxar o óleo perfeitamente com a agulha verde comum (21G).
  • Agulhas de maior calibre servem para furar a borracha espessa de bujões multi-dose, que no Brasil só aparecem em fórmulas manipuladas ou importadas.