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Atualização: revisão prática de nomes comerciais, armadilhas de farmácia e regras de bloqueio

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Guia HRT
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Colaboradores do Guia HRT

Passamos um pente fino nos guias de medicamentos da terapia transfeminina. O foco desta rodada foi resolver uma das maiores fontes de erro para quem começa a hormonização: a confusão entre nomes comerciais no balcão das farmácias brasileiras e a combinação correta entre estradiol e bloqueadores.

Nomes comerciais e armadilhas no balcão​

Muita gente chega à farmácia ou procura em aplicativos de entrega e acaba levando produtos inadequados ou perigosos, muitas vezes por orientação equivocada de atendentes que tratam qualquer estrogênio como se fosse igual.

Adicionamos tabelas comparativas de "O que comprar e o que nunca comprar" em todas as vias de estradiol:

  • Comprimidos: deixamos claro quais são as formulações de valerato de estradiol puro (Primogyna e genéricos da EMS e Germed) e hemi-hidrato (Natifa 1 mg). Destacamos as armadilhas clássicas: anticoncepcionais com etinilestradiol (Diane 35, Selene, Ciclo 21, Microvlar), a versão combinada Natifa Pro (que contém noretisterona para menopausa), a ilusão do Climene (cuja dose de 1 mg de ciproterona não bloqueia testosterona) e o descarte obrigatório das 10 drágeas escuras da Cicloprimogyna.
  • Adesivos e spray: incluímos um alerta enfático contra o adesivo Evra, que é um contraceptivo com etinilestradiol e progestina sintética. Diferenciamos o Systen puro (50 e 100 mcg) das versões com noretisterona (Systen Conti e Systen Sequi). No spray Lenzetto, detalhamos o rendimento real do frasco de 56 borrifadas conforme a dose diária.
  • Injetáveis: explicamos a composição da Perlutan, Uno-Ciclo e genéricos de enantato com algestona, alertando contra outras injeções mensais de farmácia como Mesigyna e Noregyna (que contêm enantato de noretisterona, um derivado com atividade androgênica que pode causar efeitos masculinizantes) e a Depo-Provera trimestral (que não contém nenhum estrogênio).

Regras de uso de bloqueadores​

Padronizamos os avisos de segurança nas páginas de antiandrógenos e estradiol para evitar dois extremos comuns:

  1. Bloqueadores nunca devem ser usados sozinhos: adicionamos um aviso de perigo no topo das páginas de Espironolactona, Acetato de Ciproterona e Bicalutamida. O bloqueador apenas impede a ação ou síntese da testosterona, mas o desenvolvimento corporal depende do estradiol. Tomar apenas bloqueador por semanas deixa o organismo sem nenhum hormônio sexual no sangue, gerando perda de densidade óssea, fadiga crônica e ondas de calor.
  2. Injetáveis de depósito não usam bloqueador oral: reforçamos que a combinação de enantato de estradiol com algestona acetofenida já suprime completamente o LH e o FSH. Tomar ciproterona, espironolactona ou bicalutamida junto com a injeção é um erro que apenas aumenta a sobrecarga hepática, o risco de prolactina alta e os sintomas depressivos.
  3. Vias não injetáveis exigem bloqueador: comprimidos orais, gel e adesivos em doses convencionais não suprimem a testosterona por conta própria na maioria dos casos, necessitando de um antiandrógeno associado.

Correções técnicas e farmacocinética​

  • Via sublingual: removemos estimativas exageradas de picos hormonais que constavam no texto antigo e atualizamos os dados com base em estudos compilados pelo Transfeminine Science (Doll et al., 2022). Também deixamos claro que as drágeas de Primogyna e Cicloprimogyna possuem revestimento de açúcar e cera feito apenas para engolir, não servindo para dissolução embaixo da língua.
  • Técnicas de injeção: facilitamos o acesso direto ao manual completo de injeção intramuscular a partir da página de injetáveis e incluímos a orientação expressa de nunca guardar sobras de ampolas abertas dentro de seringas descartáveis, devido à degradação do plástico e borracha pelo óleo e ao risco de infecção.